A definição de MUD (Multi-Users Dungeons) e MOO (Multi-user dungeon Object Oriented) pode ser um tanto abstrata para as pessoas que não tiveram contato com sistemas parecidos, mas tentarei esclarecer um pouco o tema, para quem não está com paciência de ler todo o interessantíssimo texto de Alexandra Cristina que publiquei. (Parte 1 e Parte 2)
MUD e MOO são ambientes nos quais é possível desenvolver histórias em tempo real, em conjunto, e a partir de textos, com a diferença de, no caso do MOO, haver uma linguagem mais específica para comandos. Sucintamente:
MUD: Criado em 1978, por Roy Trubshaw e por Richard Bartle, ambos estudantes de Essex, na Inglaterra, foi, primeiro, uma "memória de computador compartilhada entre múltiplos programas", num computador PDP-10 (!) em TELNET (como configurar telnet). Ocorria por meio da internet e em tempo real, para os jogadores cadastrados, os quais digitavam ações de seus personagens, espaços físicos, etc. e conseguiam interagir digitando palavras chaves. O primeiro MUD ainda está disponível, juntamente com outros jogos mais modernos.
(vídeo de alguém jogando MUD)
(como fazer um MUD)
(vídeo de alguém jogando MUD)
(como fazer um MUD)
MOO: Criado em 1992 por Pavel Curtis, possui as mesmas características do MUD, com a diferença de seus usuários poderem criar e expandir ambientes, pois suas interações, através de comandos em LambdaMOO, interferem no ambiente. Os players passam, então, a serem capazes de modificar um ambiente e até criar novas salas, pois não há regras tão fixas quanto no MUD.
São, portanto, um misto de RPG (Role-playing Game) com chats, fóruns, salas de bate-papo e redes sociais, pois os participantes criam personagens para si, pelos quais conseguem realizar ações, cumprir missões e quaisquer mais exigências do jogo, em ambientes imaginários, ricamente descritos em textos, com o distanciamento somente proporcionado pelo ambiente virtual, sem os famosos tabuleiros, dados e fantasias.
Nesse tipo de game, o player é tanto autor, quanto ator, espectador e personagem e, em geral, utiliza temáticas fantásticas, tais como idade medieval, dragões, cavaleiros, magos, guerreiros, demônios, vampiros, animês, ficção científica, tais como os MUDs Devil's Bob e Valinor.
E de MOO passamos para a variação mais moderna, com interface, os chamados RPG on-line ou MMORPG (Massive Multiplayer Online Role Playing Games). Um bom exemplo deste tipo de jogo aqui no Brasil, acredito, é o Ragnarok, para quem já reparou nas propagandas coladas nas portas de lan houses. Nele é possível passear livremente pelo ambiente, criar personagens, interagir, duelar e associar com outros milhares de jogadores, evoluir, até mesmo casar. A tragetória é livre, não há uma narrativa fixa, por isso a vantagem criativa presente nos MUDs e MOOs já não existe, é como se jogasse um videogame, mas em rede e independente de uma narrativa muito definida. Aí eu me pergunto porque não joguei algo tão aparentemente divertido. Então eu lembro: era pago. =D
Voltando aos MOOs e MUDs, de acordo com o texto de Ryan, a experiência neles se faz de três maneiras:
- Ontológico-externo: cria um personagem ou um ambiente a partir de descrições. (fora do comportamento da personagem)
- Ontológico-interno: interage com outros usuários a partir de diálogos ou ações. (no comportamento da personagem)
- Exploratório-interno: passeia pelo MOO, visita salas e vê objetos. (comportamento neutro)
Agora a voz da experiência aqui vos fala, porque todos têm um "passado negro que os condena". Por volta de quatro anos atrás, eu participava de fóruns e bate-papos do UOL, do Terra e do Hotmail, como observadora ou participante, das partes dedicadas a games on-line, sem saber, no entanto, que se tratava de uma espécie de MUD moderno. Neles criavam-se salas específicas de cada jogo ou gênero de jogo e, através de textos, seus usuários propunham uma situação, desenvolvendo, a partir dela, toda uma narrativa e desempenhando papéis, descrevendo ações, objetos e espaços. Apesar de absolutamente caótico, pois, além de muitos jogos ocorrerem simultaneamente na mesma sala, cada um que entrava na sala com coragem o suficiente, lia um pouco de um jogo e se enfiava no meio. Destreza e capacidade de improvisação era preciso. E muito jeito para escrita também.
Então respondo a questão lançada pelo texto de Ryan: MOO pode ser considerado uma nova forma de narrativa? Ao meu ver sim. Digo isso, porque considero esse tipo de experiência enriquecedora, saudável. Através dela, é possível expandir a criatividade e desenvolver a escrita, pois, a partir de certo ponto, os jogos se tornavam verdadeira literatura interativa. Bons mestres eram aqueles com maior capacidade de inventar história e narrá-la bem.



Ah, era exatamente disso que eu falava (acho que estou lendo o blog na ordem inversa...). Agora, uma correção: "como se jogasse um videogame", não, Ragnarok é um videogame (a frase como um todo ficou meio confusa...).
ResponderExcluir